17 perguntas · atualizado em outubro de 2026
Fraude em fotos
Como reduzir fraude com fotos em sinistros de automóvel?
Atacando o que a fraude explora: a incerteza sobre a origem da foto. Com captura autenticada, as fotos da vistoria prévia e do sinistro carregam um registro verificável de quando e por qual aplicativo foram feitas. Isso dificulta reaproveitar imagens de outro veículo ou de outro evento e dá base objetiva para comparar o estado do veículo antes e depois. A própria exigência de captura autenticada tende a desestimular tentativas oportunistas.
Como saber se uma foto foi editada ou adulterada?
Depois que a foto existe, só é possível procurar indícios: inconsistências de luz e sombra, marcas de compressão, metadados incoerentes. São análises de probabilidade, e uma edição bem feita apaga a maior parte desses rastros. O padrão C2PA inverte o problema: em vez de procurar sinais de edição depois, registra a origem da foto no momento em que ela é tirada, com assinatura digital. A partir daí, qualquer alteração fica detectável.
Como evitar fraude com foto de outro veículo ou de banco de imagens?
A fraude mais comum em vistoria não é editar a foto, e sim trocá-la por uma imagem verdadeira, mas de outro veículo, de outro lugar ou de outro dia. Ferramentas que analisam a imagem não pegam esse caso, porque a foto em si é autêntica. O que resolve é saber de onde ela veio: com captura autenticada, a foto é assinada pelo próprio aplicativo de vistoria no momento em que é tirada, e uma imagem importada da galeria ou de um banco de imagens não tem essa assinatura.
Deepfake em vistoria: como se proteger de fotos geradas por inteligência artificial?
Detectar uma imagem gerada por IA depois do fato é uma corrida contra ferramentas que melhoram a cada mês. A alternativa é exigir que a foto venha da câmera de um aplicativo de captura autenticada, que a assina no momento da captura — uma imagem gerada por IA não sai dessa câmera. Fotografar uma tela que exibe a imagem falsa é outro tipo de tentativa; no aplicativo, existe para ela uma proteção específica, que reduz o risco, mas não o elimina.
IA de detecção de fraude em fotos é suficiente?
A detecção por IA analisa o conteúdo da imagem e estima a chance de fraude. É útil, mas tem um limite: responde com probabilidade, e fraudes bem feitas passam. A autenticação na origem responde a outra pergunta — não "esta imagem parece verdadeira?", e sim "de onde ela veio e se foi alterada depois". As duas se complementam: a IA ajuda a priorizar casos suspeitos, e a autenticação dá uma evidência que pode ser conferida de forma independente.
Vistoria veicular e ECVs
O que a Resolução CONTRAN 941/2022 exige das ECVs sobre fotos e registros de vistoria?
A resolução que regula a vistoria de identificação veicular exige que o laudo seja emitido só por meio eletrônico e registrado no SISCSV (art. 2º, §1º), e prevê suspensão para a empresa que deixa de armazenar eletronicamente o registro da vistoria (art. 12, VI). Fraudar o laudo, emitir laudo sem que a vistoria tenha acontecido e manipular os dados do arquivo de imagens levam à cassação (art. 13, III a V). A captura autenticada não substitui nenhuma dessas obrigações: ela dá à ECV um registro verificável de cada foto, que mostra se ela foi alterada depois.
Como uma ECV comprova que as fotos da vistoria não foram manipuladas?
Hoje essa comprovação depende dos controles internos da empresa e, numa disputa, de perícia sobre os arquivos. Com captura autenticada, cada foto é assinada no momento em que é tirada, e qualquer alteração posterior fica detectável. A conferência pode ser feita por terceiros, com ferramentas públicas, sem depender só da palavra da ECV.
Autenticidade e prova
O que é autenticação de imagem na origem?
É registrar, no momento em que a foto é tirada, os dados da captura — data, hora, a localização informada pelo aparelho e o dispositivo usado — e proteger esse registro com assinatura digital. A maioria dos sistemas protege a foto só depois que ela chega ao servidor; a autenticação na origem cobre o trecho anterior, entre o clique e o envio. Com isso, qualquer alteração feita depois da captura fica detectável.
Metadados EXIF (data, hora e local da foto) servem como prova?
Sozinhos, não. Os metadados EXIF ficam dentro do arquivo e podem ser alterados com aplicativos gratuitos, sem deixar vestígio aparente. Data, hora e local ganham peso quando são registrados no momento da captura e protegidos por assinatura digital — aí qualquer alteração posterior aparece. Vale o limite: a assinatura prova que a informação não mudou depois, mas não prova que o relógio ou o GPS do aparelho estavam certos. Detalhamos o assunto em por que os metadados de uma foto não provam de onde ela veio.
Foto digital vale como prova?
Pelo Código de Processo Civil (art. 422, §1º), fotografias digitais fazem prova das imagens que reproduzem; se a outra parte contestar, é preciso apresentar a autenticação eletrônica da foto ou, na falta dela, fazer perícia. A captura autenticada produz essa autenticação no momento em que a foto é tirada. Ela mostra que a imagem não foi alterada depois; o que a foto retrata continua sendo avaliado por quem analisa o caso.
Por que usar assinatura ICP-Brasil em fotos?
A ICP-Brasil (MP 2.200-2/2001) é a infraestrutura oficial de certificação digital do país, e documentos assinados com certificado ICP-Brasil têm, pela legislação brasileira, presunção de veracidade em relação a quem os assinou. As fotos autenticadas pela Provvi são assinadas com o certificado ICP-Brasil da empresa, o que identifica quem as assinou e torna detectável qualquer alteração posterior. O padrão C2PA organiza o registro da origem; a ICP-Brasil dá a esse registro uma assinatura com validade jurídica no Brasil.
O que o Marco Legal da IA (PL 2338/2023) pode mudar para quem usa IA em seguros?
O projeto, aprovado pelo Senado em dezembro de 2024 e hoje em análise na Câmara dos Deputados, trata da responsabilidade de quem desenvolve e usa sistemas de inteligência artificial, com exigências maiores para usos considerados de alto risco. Para seguradoras que usam IA na análise de sinistros, a qualidade e a origem dos dados que alimentam as decisões tendem a ganhar importância. Imagens com origem verificável ajudam nisso, porque podem ser conferidas de forma independente.
C2PA e verificação
O que é C2PA (Content Credentials)?
É um padrão aberto de proveniência de conteúdo digital, criado por um consórcio de empresas de tecnologia e mídia, entre elas Adobe, Microsoft e Intel. Ele registra, junto com a imagem, de onde ela veio e o que foi feito com ela, com assinatura digital. Qualquer alteração posterior — recorte, ajuste de cor, mudança de data ou de local — invalida a assinatura e fica detectável. Por ser aberto, a verificação não depende da Provvi: ferramentas públicas compatíveis com o padrão conferem a integridade de forma independente.
O C2PA detecta imagem gerada por inteligência artificial?
Não diretamente. O C2PA registra a origem e o histórico de um arquivo — quem criou, com qual ferramenta e o que foi feito depois. Uma imagem gerada por IA pode ter um registro C2PA válido que declara exatamente isso. O que o C2PA permite é distinguir uma foto com registro de captura por câmera, assinado na origem, de uma imagem que não tem esse registro.
Como verificar se uma foto tem Content Credentials (C2PA)?
Com ferramentas públicas e gratuitas compatíveis com o padrão, como o verificador da Content Authenticity Initiative (contentcredentials.org/verify). Elas mostram quem assinou, quando, e se o arquivo foi alterado desde a assinatura. O arquivo precisa chegar íntegro: se for recomprimido ou convertido no caminho, o registro pode se perder.
Integração
Como integrar a autenticação de fotos ao meu aplicativo ou site?
De duas formas, conforme o seu canal:
- No aplicativo (Android e iOS): um SDK substitui a câmera na etapa de captura do seu app. É a forma de maior garantia, porque a captura fica vinculada ao próprio aparelho.
- No navegador, sem instalação: a captura acontece numa página web, por redirecionamento ou embutida no seu site. É a forma mais prática para quem não pode exigir a instalação de um aplicativo.
Nas duas, cada foto sai assinada com certificado digital ICP-Brasil e com registro de data e hora. A integração acontece na etapa de captura, e os sistemas que recebem as fotos passam a recebê-las assinadas. A documentação técnica está em docs.provvi.com.br.
A autenticação funciona em qualquer celular?
O SDK para aplicativos funciona em Android 8.0 ou superior e em iOS 16 ou superior. Para quem não quer instalar nada, há a captura pelo navegador. O nível de garantia é maior no aplicativo, onde a captura fica vinculada ao próprio aparelho.
Para aprofundar
Dois textos sobre o que está por trás das respostas acima.
Marco Legal da IA (PL 2338/2023)
Responsabilidade objetiva, rastreabilidade da decisão e a camada de evidência que fica de fora.
Ler a análise →Fraude de imagem em seguros
As sete modalidades que chegam à mesa de quem regula o sinistro, com os números do mercado.
Ler o artigo →O que é C2PA, e o que o manifesto prova
O que a assinatura cobre, o que segue sendo declaração do dispositivo, e por que o padrão não é detector de IA.
Ler o artigo →