O que a seguradora recebe hoje, e o que consegue provar depois
As fotos chegam por aplicativo, formulário, e-mail ou pelo laudo de uma empresa de vistoria. São o insumo da análise do ajustador e, cada vez mais, a entrada de um modelo que classifica o sinistro. Meses depois, numa contestação, a pergunta é outra: como demonstrar que a imagem avaliada é a que o segurado enviou, e que ela não mudou no caminho?
É esse o trecho que a captura autenticada cobre. Ela não substitui a análise; dá a ela um alicerce que hoje não existe.
Sinistro de automóvel: o fluxo
- O segurado — ou o regulador em campo — abre a câmera pelo SDK dentro do aplicativo que você já usa.
- Cada foto recebe, no momento da captura, um registro assinado: o cálculo sobre a imagem original, a localização apurada pelo aparelho, o horário com carimbo de tempo independente e a identificação do dispositivo. A assinatura é feita com o certificado ICP-Brasil da Provvi, depois de o servidor conferir que o aparelho é o que diz ser.
- As imagens seguem para o seu backend com o registro anexado ao próprio arquivo.
- Na entrada, uma verificação confirma se o registro é válido antes de a imagem ir para a análise.
- A decisão é registrada com referência às imagens conferidas.
- Em contestação, a cadeia é refeita do início: da captura à decisão.
O que muda na contestação
Sem o registro, a defesa depende de perícia sobre o arquivo pronto, que trabalha com indícios e devolve probabilidade. Com ele, a origem foi registrada quando ainda era verdade conhecida, e a conferência pode ser refeita por terceiro a qualquer momento — inclusive pela parte contrária.
Vistoria prévia, na subscrição
A vistoria prévia é um ponto de risco na entrada da apólice: o proponente pode apresentar imagens de um veículo em melhor estado do que o real, ou omitir avarias que elevariam o prêmio ou excluiriam cobertura. Com captura autenticada, a seguradora passa a ter o estado documentado do bem no momento da contratação. Na hora do sinistro, a comparação entre o que foi registrado então e o que se alega agora é objetiva, em vez de disputa sobre a condição original.
“Já temos antifraude por IA. Por que isso não basta?”
Porque as duas coisas respondem perguntas diferentes, e a fraude que mais custa escapa de uma delas.
| O que você já tem | O que ele responde bem | O que escapa |
|---|---|---|
| Análise de conteúdo e de padrão | Edição digital, inconsistência visual, redes organizadas que repetem comportamento | A imagem real, tecnicamente íntegra, apresentada no contexto errado |
| Verificação de proveniência | De onde o arquivo veio e se mudou desde a captura | O que a imagem significa — isso continua sendo leitura do analista |
São dois vetores independentes. Uma fraude que engane o modelo de conteúdo ainda precisa apresentar um registro de origem válido; e uma imagem sem registro vira sinal de atenção por si só, sem depender do que o modelo achou dela.
O que um atacante precisaria comprometer
Vale precisar isso, porque a formulação comum erra o alvo. Não basta ter acesso ao aparelho: a assinatura do manifesto é feita no servidor, com o certificado da Provvi. Forjar um registro exige comprometer essa assinatura e, além dela, o vínculo de um aparelho provisionado e não revogado, dentro da janela em que aquela sessão de captura é válida.
Laudo de terceiro: ECVs e a rede de vistoria
Parte das imagens que entram na decisão não é capturada por você: vem de empresas credenciadas de vistoria e de inspeções de parceiros. Aí a questão de origem pesa mais, porque o processo de captura está fora do seu controle. Quando a rede captura pelo mesmo mecanismo, o laudo chega com a origem já registrada, e os dados de terceiro passam a ter a mesma rastreabilidade dos capturados diretamente.
A norma que a ECV já responde
A Resolução CONTRAN nº 941/2022, em vigor desde março de 2022, trata do registro eletrônico das vistorias e prevê sanções que alcançam a manipulação de arquivos do sistema de imagens. Para a ECV, o registro de origem deixa de ser diferencial comercial e passa a conversar diretamente com a norma que ela já cumpre.
Como integra
É adição de camada. O SDK entra no ponto de captura — o aplicativo do segurado, o app de vistoria, a ferramenta do regulador — e o registro viaja junto com o arquivo para os sistemas que já existem.
O que muda: é preciso um ponto de verificação na entrada — o momento em que o seu sistema confere o registro antes de encaminhar a imagem à análise. Sem esse ponto, a imagem continua chegando com o registro anexado e ninguém o lê.
O que é conferido e o que é declarado
Dentro do mesmo registro convivem duas naturezas de informação, e saber qual é qual é o que permite ao laudo afirmar com a força certa em cada ponto.
| Quem afirma | O quê |
|---|---|
| Conferido pelo servidor | Que o aparelho é o que diz ser e que a captura veio de um aplicativo íntegro |
| Declarado pelo aparelho | Localização, horário informado, identificação da sessão e os campos preenchidos pela operação |
As duas partes viajam sob a mesma assinatura. Um parecer que trate tudo como conferido por terceiro fica frágil no primeiro questionamento; um que distinga as duas se sustenta. É por isso que entregamos a distinção explícita, em vez de deixá-la implícita — detalhada no artigo sobre o que o manifesto prova.
Efeitos na operação
| Onde | O que muda |
|---|---|
| Triagem | Sinistro sem captura autenticada vai para revisão manual; a análise se concentra onde não há registro de origem |
| Investigação | A verificação responde em segundos se a foto veio de captura autenticada e se mudou depois |
| Contestação | A cadeia é documentada desde a captura, e a conferência pode ser refeita por terceiro |
| Precificação | Exigir captura autenticada como condição de cobertura cria incentivo para o segurado colaborar |
O detalhamento das modalidades de fraude que isso endereça está em fraude de imagem em seguros.
Perguntas que o comitê faz
Se a Provvi sair do ar, as fotos já capturadas continuam verificáveis?
Sim. O registro fica dentro do próprio arquivo, junto com a cadeia de certificados e o carimbo de tempo. A conferência é feita por qualquer ferramenta compatível com o padrão, sem passar por nós.
A imagem passa pelos servidores de vocês?
Depende do caminho. Na captura pelo aplicativo, não: o aparelho envia o cálculo sobre a imagem e recebe a assinatura de volta — a foto em si não trafega para ser assinada. Na captura pelo navegador, sim: ali a assinatura é feita no servidor, depois do envio.
A guarda também é escolha sua, por contrato: o registro é sempre armazenado; a imagem pode ser sempre, nunca, ou caso a caso.
Se o aparelho do vistoriador for roubado, o que um terceiro consegue fazer?
A chave daquele aparelho fica em área protegida do hardware e não pode ser extraída dele. O certificado do dispositivo vale sete dias, e a renovação é automática: o aplicativo cuida disso em segundo plano e também na hora da captura, se estiver perto de vencer, sem que o vistoriador precise fazer nada. A cada renovação, uma chave nova é gerada.
O prazo curto é, ele próprio, a contenção — um aparelho que saia de circulação deixa de conseguir capturar em no máximo uma semana, sozinho. Quando o caso exige corte imediato, o dispositivo é revogado, e a partir daí as capturas vindas dele são recusadas no servidor.
Quem, dentro da seguradora, consegue conferir sem depender de vocês?
Qualquer pessoa com uma ferramenta compatível com o padrão — há opções abertas e gratuitas, inclusive de linha de comando, usadas pela própria indústria.
E as fotos que já temos, capturadas sem autenticação?
Continuam como estão. Não há como registrar depois uma origem que não foi registrada no momento da captura — e desconfie de quem disser o contrário. O ganho começa na próxima captura.
Precisamos exigir de toda a rede de uma vez?
Não. A habilitação é por operador e por carteira, o que permite começar por uma linha de negócio ou por um grupo de parceiros e ampliar depois.
Qual o esforço da primeira integração?
Duas frentes: o SDK no ponto de captura e o ponto de verificação na entrada. A primeira é trabalho no aplicativo que já existe; a segunda é uma chamada antes de a imagem seguir para a análise. Não há troca de sistema envolvida. O dimensionamento depende de como a sua captura funciona hoje, e é o que olhamos na primeira conversa.
Fale com a equipe
Podemos partir de um caso real da sua operação e mostrar o registro de uma captura ponta a ponta, com o que é conferido e o que é declarado.
Falar com a Provvi →Leia também: as sete modalidades de fraude por imagem · o que é C2PA · Marco Legal da IA · para quem desenvolve o software de captura · perguntas frequentes.